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A 33ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos será realizada de 6 a 27 de janeiro de 2027, consolidando-se como um dos mais importantes festivais multiculturais do país. O evento reúne uma programação ampla e diversificada, contemplando teatro, dança, música, circo, cinema e outras manifestações artísticas, com o objetivo de valorizar a cultura e promover o encontro entre artistas e público.
Nesta edição serão apresentados 60 espetáculos, sendo 04 deles "espetáculos de Rua", assim como a permanência do festival JANEIRO DE CENAS CURTAS, que este ano além da linguagem do teatro, contará também com a linguagem da dança e do audiovisual.
Ao longo dos dias de festival, o público poderá assistir a apresentações de produções de grupos locais, nacionais e internacionais, Essa troca de experiências fortalece o cenário cultural e amplia o acesso à arte em suas mais diversas linguagens.
O festival também se destaca por ocupar diversos espaços culturais e urbanos, levando espetáculos aos teatros de Santa Isabel, Parque, Apolo-Hermilo, Arraial Ariano Suassuna, Barreto Júnior, Teatro André Filho/FIANDEIROS, Teatro Capiba e Marco Camarotti, Teatro Caixa Cultural, além de praças e outros espaços culturais da cidade, aproximando a arte do cotidiano das pessoas. Dessa forma, o Janeiro de Grandes Espetáculos reafirma seu papel como um importante polo de difusão cultural, incentivando a criatividade, a diversidade e o diálogo entre diferentes expressões artísticas e a população.
Em 2027, a importância de homenagear é ainda mais relevante para a valorização e reconhecimento de pessoas e segmentos que fizeram e fazem valer o desenvolvimento da cultura em Pernambuco. É com grande orgulho que a grande homenagem é dedicada a esse grande nordestino ARIANO SUASSUNA, pela sua história e colaboração na cultura do país.
Ariano
Suassuna e seu universo simbólicoPor Flávia Suassuna
Ariano Suassuna foi um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX, construindo uma obra profundamente ligada à cultura popular nordestina, à religiosidade e à identidade nacional. Sua produção reuniu literatura, teatro, poesia e pensamento cultural, sempre buscando unir o erudito ao popular e valorizar o sertão como espaço central da cultura brasileira.
No contexto do Modernismo, Suassuna aproximou-se das tradições populares nordestinas, como a literatura de cordel, a xilogravura e a música sertaneja. Para ele, a verdadeira essência cultural do Brasil estava preservada no sertão, resultado da mistura entre tradições ibéricas, indígenas e africanas. A "Onça Malhada", símbolo criado pelo autor, representava essa miscigenação cultural.
Essa visão levou à criação do Movimento Armorial lançado em Recife, em 1970, com o objetivo de produzir uma arte erudita baseada nas manifestações populares nordestinas. O movimento integrou literatura, música, pintura, teatro e arquitetura, defendendo uma valorização autêntica da identidade nacional brasileira. Paralelamente ao movimento Armorial, Suassuna criou também o BALÉ POPULAR DO RECIFE, sob a coordenação de André Madureira.
Na poesia, Suassuna desenvolveu uma escrita marcada pela religiosidade, pelo simbolismo e pela reflexão existencial sobre sofrimento, morte e esperança. Já no teatro, alcançou grande reconhecimento ao unir humor, crítica social, tradição popular e elementos religiosos, inspirado nos autos medievais ibéricos. Entre suas principais peças estão Auto da Compadecida, A Pena e a Lei, O Santo e a Porca e Farsa da Boa Preguiça.
Na prosa, destacou-se com romances influenciados pelo gênero picaresco, misturando fantasia, cultura popular e religiosidade. Sua principal obra é Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, narrativa simbólica que reúne fatos históricos, cordel e tradições sertanejas. Também escreveu História d'O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão e Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores, aprofundando temas como identidade nacional, memória e religiosidade.
Em toda a sua produção artística, Ariano Suassuna procurou defender a cultura popular brasileira e transformá-la em matéria de arte erudita. Seu universo simbólico reúne referências medievais, religiosas, sertanejas e populares para construir uma visão profundamente brasileira da existência humana. Até hoje, Suassuna permanece como um dos maiores intérpretes da cultura brasileira, valorizando o sertão e suas tradições como expressão legítima da identidade nacional.
Homenagens
por LinguagemO JGE conta também com o Prêmio Copergás — Uma celebração às artes cênicas e música do festival, premiando e enaltecendo espetáculos e artistas que se destacaram nesta edição.
A grande novidade em 2027 é a retomada da SEMANA DOS CURADORES, proporcionando a possibilidade de maior visibilidade às produções locais, troca de experiências e intercâmbio com outros festivais importantes do país. Para isso teremos como convidados os seguintes curadores:
Toda a construção, conceito e formatação de cada edição é feita democraticamente com a participação da classe artística e sociedade civil, representadas pelo Conselho Consultivo, esse ano formado por Rudimar Constâncio (ator, diretor, professor e gestor cultural), Everson Melquíades (professor e fomentador da cultura no estado) e Júnior Sampaio (ator, diretor, dramaturgo e produtor).
O Janeiro de Grandes Espetáculos é uma realização da Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco) em parceria com o Sesc e com patrocínio de Suape, da Fundarpe (Governo do Estado de Pernambuco), Fundação de Cultura Cidade do Recife e Secretaria de Cultura da Prefeitura do Recife.
Resultado do chamamento. Escolha a modalidade para ver os grupos selecionados.
Cia. 2 em Cena
Uma adaptação de Hamlet de Shakespeare para o público infantojuvenil, apresentada por dois palhaços que interpretam diferentes personagens. A montagem utiliza a palhaçaria, o humor e a ludicidade para abordar temas como perda, família e poder.
SUMO Teatro
Uma garçonete atende clientes em um restaurante aparentemente comum, mas a situação cotidiana revela fragilidades, incomunicabilidade e relações de consumo. Inspirada no Teatro do Absurdo, a cena utiliza humor, repetição e estranhamento para discutir a mecanização das relações humanas.
Laboratório de Aprofundamento Cênico (LAC)
Em meio à luta contra a ditadura militar, Ana se transforma em símbolo de uma revolução enquanto vive um conflito amoroso com Pedro. Inspirada em O Balcão, de Jean Genet, a cena discute o papel dos símbolos, o poder e os dilemas individuais diante de uma causa coletiva.
Três amigos se reencontram durante o velório de um antigo companheiro e, entre homenagens e conflitos, acabam trazendo à tona antigas mágoas e ressentimentos. A cena utiliza a tragicomédia para abordar luto, amizade, amor e arrependimento.
Após acontecimentos que não consegue recordar, Dante inicia uma jornada de autoconhecimento com o auxílio de personagens que representam a depressão e a ansiedade. A cena explora conflitos psicológicos, memória, identidade, sofrimento emocional e aceitação.
Companhia de Teatro Experimental GatoPreto
Um casal aparentemente tranquilo recebe a visita inesperada de um jovem, que aos poucos percebe que existe algo estranho naquela relação. Inspirada no conto Eu, padre, de Hermilo Borba Filho, a cena aborda autoridade, poder e autoritarismo em uma narrativa de suspense.
Um casal de jovens se conhece, apaixona-se e inicia mais um ciclo da conhecida tragédia de Orfeu e Eurídice. Inspirada no mito grego, a cena combina teatro naturalista, elementos brechtianos, música e narrativa para abordar amor, destino e repetição.
Cobogó das Artes
Dois homens, marcados pelo fim de seus relacionamentos, dividem uma mesa de bar e conversam sobre o amor e suas consequências. Memórias de Teresa vêm à tona enquanto poemas, literatura e canções constroem uma reflexão sobre diferentes formas de vivenciar o fim de um relacionamento.
Mufina & Escracho
Mufina, uma mulher da elite da Zona Norte do Recife, e Escracho, um sedutor periférico, se conhecem por um aplicativo e vivem um encontro marcado por diferenças de classe, personalidade e status. A cena de palhaçaria contemporânea mistura comédia romântica, cultura recifense, brega e referências urbanas.
Trupe Alumiarmente
Um motoboy atravessa a cidade como um cavaleiro moderno, enfrentando o trânsito, o trabalho e as dificuldades da vida urbana. A cena utiliza a metáfora da caça aos leões para abordar sobrevivência, vulnerabilidade e a realidade dos trabalhadores das grandes cidades.
Coletivo Ideação
Em meio ao centro do Recife, encontros e desencontros revelam histórias de amor, memória e apagamento. A cena dialoga com a transformação urbana e a gentrificação, misturando referências do teatro grego, da cultura pernambucana, da estética armorial e do manguebeat.
Teatro Popular de Garanhuns
Uma releitura contemporânea do Boi-Bumbá que combina humor, música, tradição e elementos fantásticos. A montagem preserva personagens tradicionais do folguedo e utiliza jogo teatral, improviso, comicidade e interação com o público para valorizar a cultura popular pernambucana.
Coletivo de Teatro À Flor da Pele
Uma família acredita ter ficado rica repentinamente e decide usar a nova condição para impressionar uma vizinha peculiar. Em formato de sitcom, a cena explora situações absurdas e cômicas do cotidiano de uma família recifense.
Associação Pernambucana Música em Movimento (APMM)
Inspirada na crônica de Clarice Lispector, a cena recria as memórias da infância da autora e seus banhos de mar em Olinda. Literatura, teatro, música, sonoplastia, projeção e animação se encontram para construir uma experiência poética sobre infância, memória, saudade e pertencimento.
Após a morte do patriarca, uma família se reúne para o primeiro jantar de domingo. O reencontro revela ressentimentos, abandonos e conflitos que permaneciam escondidos. A cena utiliza uma estética brechtiana e a quebra da quarta parede para expor aquilo que os personagens não conseguem dizer uns aos outros.
Durante a Segunda Guerra Mundial, uma jovem refugiada nas histórias de Alice no País das Maravilhas tenta lidar com a doença de seu melhor amigo e com o processo de luto. A cena alterna realidade e fantasia para abordar perda, amadurecimento e enfrentamento da dor.
Um homem atormentado retorna à cidade onde perdeu tudo e, acompanhado por uma figura excêntrica, busca justiça contra aqueles que destruíram sua vida. A encenação utiliza referências ao teatro brechtiano e prioriza o trabalho dos atores, do corpo, da voz e da música.
Helaynne Sampaio / Balé Nagô Ajô
Espetáculo de dança afro diaspórica que investiga memória, ancestralidade e transformação por meio do corpo. Inspirado na cosmopercepção nagô e nos princípios simbólicos de Oyá, articula dança, música e referências afro-brasileiras em uma experiência ritualística, sensorial e contemporânea. A remontagem de dez anos incorpora música ao vivo, voz e paisagens sonoras.
Cia. Fátima Freitas
Obra que investiga a memória como matéria coreográfica, transformando lembranças, afetos e experiências em movimento. Interpretada por dez bailarinas, constrói uma dramaturgia coletiva sobre encontros, despedidas, permanências e transformações. A cena articula dança, trilha sonora, iluminação e elementos que evocam a casa como espaço de memória e intimidade.
Grupo Nossa Arte, APAE de Garanhuns
Número inspirado na tradição da Cavalhada, manifestação do folclore brasileiro que representa a batalha entre cavaleiros cristãos e mouros. A apresentação valoriza a cultura popular por meio de personagens, figurinos, música e dança, trazendo para a cena elementos tradicionais dessa manifestação.
Coletivo À Margem
Esquete de teatro hip hop inspirada em A Voz da Consciência, de Ubirajara Fidalgo. A obra utiliza poesia, dança, performance e ancestralidade para refletir sobre a importância do conhecimento, da leitura e da consciência crítica. A realização simbólica de um ebó de livros representa um processo de transformação, cura e libertação por meio do conhecimento.
Lúden Cia de Dança
Espetáculo que propõe uma reflexão sobre o desempenho humano e a mecânica do corpo a partir do frevo. A obra desconstrói o passo tradicional para investigar força, resistência, agilidade e movimento, inicialmente aproximando o corpo de uma imagem mecânica e posteriormente revelando a energia e a expressividade presentes na dança popular pernambucana.
Manifesto sobre a arte, a dança e aquilo que conecta as pessoas. A obra apresenta a dança como forma de expressão, cura e comunicação, refletindo sobre afeto, troca de energias e os valores que aproximam os indivíduos. A interação entre os bailarinos cria uma atmosfera de unidade e celebração da vida.
Bast Jazz Academy
Trecho coreográfico que aborda o poder e o misticismo do Antigo Egito a partir da figura de Nefertiti. A obra propõe uma releitura contemporânea do período histórico, combinando fatos históricos, simbolismo e linguagem da dança jazz. Iluminação, figurino, cenografia e coreografia constroem uma atmosfera visual e mística.
Balé Afro Raízes
Espetáculo de dança afro-brasileira contemporânea que relaciona memória, resistência e ancestralidade. A cena recria aspectos do cotidiano das aldeias africanas, como caça, plantio, colheita e ritos de passagem, além de representar os Orixás guerreiros Ogum, Xangô, Iansã e Obá. O corpo, o grito e a dança tornam-se instrumentos de expressão, resistência e celebração.
Parabéns a todos os grupos selecionados!